sexta-feira, 10 de junho de 2011

135-REGRESSO AO PASSADO*

135-Não sei porquê, mas neste momento, apeteceu-me de repente, retroceder no tempo, e voltar aos anos 50, quando eu tinha a idade de 20 e poucos anos,apeteceu-me ouvir alguns sons que, na altura, eram novidade e fizeram grande sucesso no panorama internacional. Naquele tempo era rei o "vinil".
Teenager in Love. Interpete, Marty Willd.
Esteve em em 1959 13 semanas no  1º.lugar

Oh! Carol.  de Neil Sedaka
 13 semanas no Top em 1959
                                                                   
Sailor, Petula Clark
10 semanas no Top 2
Black is Black (1966), cantam Los Bravos
9 semanas na posição 2

Puppet on a String  (1967), Sandie Shaw
13 semanas no Top (posição 1)
San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers in Your Hair)
                      de  Scott Mackenzie
 1967, 14 semanas no Top

quinta-feira, 9 de junho de 2011

134-O FADO, Pintura de José Malhoa*

134-CANTA AMÁLIA RODRIGUES

Alguém,
que Deus já lá tem,
pintor consagrado,
que foi
bem grande e nos dói
ser já do passado,
cantou numa tela,
com arte e com vida,
a trova mais´bela
 da terra mais querida.
´
Subiu
a um quarto que viu
à luz do petróeo
e fez
o mais português dos quadros a óleo:
um Zé de samarra
com a amante a seu lado,
com os dedos agarra,
percorre a guitarra,
e alí vê-se o Fado !

Faz rir a ideia de ouvir
com os olhos senhores.
Fará,
mas não para quem já
ouviu, mas em cores.
Há vozes de Alfama
naquela pintura
e a banza derrama
canções de amargura

Dali
vos digo que ouvi
a voz que se esmera:
boçal,
um faia banal
cantando à Severa.
aquilo é bairrista;
aquilo é Lisboa
boémia e fadista,
aquilo é de artista:
aquilo é Malhoa !                                

133-LISBOA MENINA E MOÇA*

133-LISBOA MENINA E MOÇA
Composição: Ary  dos Santos/Paulo de Carvalho

No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanço o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêen tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada                    

Toalhada à beira mar estendida
Lisboa menina e moça , amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e edronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

quarta-feira, 8 de junho de 2011

132-Dar um giro pelo sul de Itália*

132-E se fossemos dar um "giro" pelo Sul de Itália e ouvir  aquelas belas canções
Napolitanas





Sorrento, Capri, Amalfi, Coast Italy
           Part 2

terça-feira, 7 de junho de 2011

131-José de Almada Negreiros*

131-RONDEL DO ALENTEJO

CANTA AMÁLIA RODRIGUES

Em minarete
mate
bate
leve
verde neve
minuete
de luar.

Meia-Noite
do Segredo
no penedo
duma noite
de luar.

Olhos caros
de Morgada
enfeitada
com preparos
de luar.

Ropem fogo
pandeiretas
morenitas,
bailam tetas       
e bonitas,

bailam chitas
e jaquetas,
são as fitas
desafogo
de luar.

Voa xaile
andorinha
pelo baile,
e a vida
doentinha
e a ermida
ao luar.

Laçarote
escarlate
de cocote
alegria
de Maria
la-ri-rate
em folia
de luar.

Giram pés
giram passos
girassóis
e o bonés,
e os braços
destes dois
giram laços
ao luar.

O colete
desta Virgem
endoidece
com o S
do foguete
em vertigem
de luar.

Em miranete
mate
bate
leve
verde neve
minuete
de luar.
            (in Contemporânea, nº.2, 1922)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

130-Raul de Carvalho*

130-SERENIDADE ÉS MINHA


                        À memória de fernando Pessoa


Vem, serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz
a não ser pela dupla humidade das bocas.


Vem, serenidade!
Faz com que os beijos cheguem à altura dos ombros
e com os ombros subam à altura dos lábios,
faz com que os lábios cheguem à altura dos beijos.


Carrega para a cama dos desempregados
todas as coisas verdes, todas as coisas vis
fechadas no cofre das águas:
os corais, as anémonas, os monstros sublunares,
as algas, porque um fio de prata lhes enfeita os cabelos.


Vem, serenidade,
com o país veloz e virginal das ondas,
com o martírio leve dos amantes sem Deus,
com o cheiro sensual das pernas no cinema,
com o vinho e as uvas e o frémito das virgens,
com o macio ventre das mulheres violadas,
com os filhos que os pais amaldiçoam,
com as lanternas postas à beira dos abismos,
e as procissões sem padre, sem anjos e, contudo,
e as esperanças dos pobres.


Vem, serenidade,
com a paz e a guerra
derrubar as selvagens
florestas do infinito.
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                      "VEM, SERENIDADE"
O BELO POEMA DE RAUL DE CARVALHO, POETA
DO ALVITO, BAIXO ALENTEJO, DITO PELA VOZ
INCONFUNDÍVEL DO GRANDE MÁRIO VIEGAS.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

129-José Afonso*

129-Epígrafe Para a Arte de Furtar

Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei
Sempre há quem roube
Quem eu desejo
E de mim mesmo
Todos me roubam
Quem cantarei
Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei
Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo
Aqui d`El Rei