Após a primeira vaga da destruição da estrutura de subsistência nacional - sobretudo pescas, agricultura e indústria - pela banda de ladrões da oligarquia cavaqueira, temos agora a destruição do que restou. Está assim garantida a miséria do país por mais de um quarto de século se tudo correr pelo melhor, assim como a dependência completa dos países que vierem a investir nos despojos nacionais.
No país com mais baixa produtividade, a crise e a miséria não se vão em meia dúzia de anos, sobretudo com a persistente destruição e desbarato dos meios de produtividade.
O Cavaco desgraçou o país. Comparável ao Mubarak, ainda que a outro nível bem diferente, mas não é julgado. Porquê? Pela mesma razão que o Mubarak também não foi julgado durante décadas, mas o povo egípcio conseguirá justiça e o português não por ser mais carneiro. Ridículo: o presidente rasca escolhe o meio mais rasca para escrever aos rascas: o Facebook. Não quer falar como devia? É o presidente do Facebook. E recomenda. Que calibre!
Parece que todos se esqueceram de que o Cavaco e a filha são dois benefiários directos dos desfalques do BPN que NÓS estamos e vamos terminar de pagar enquanto eles e os outros guardam os lucros do que nos roubaram. Para recordar os esquecidos, vejam-se as notícias da altura no Jornal de Notícias e no I Online. Disse que não o repitiria, mas não devolveu o que roubou.
177-O sol é grande, caem co´a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d´alto cai acordar-m´-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu´em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.
Eu vira já aqui sombras, vira flores
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d´amores.
Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m´eu fiz doutras cores:
e tudo o maia renova, isto é sem cura!
Sá de Miranda
1481-1558
Obras Completas - volume 1
Francisco de Sá de Miranda; texto fixado, notas e prefácio de Rodrigues Lapa
Livraria Sá da Costa Editora
175-Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.2
Fernando Pessoa 2-Renascença, Lisboa 1919
Do vale à montanha
Do vale à montana,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados.
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
174- Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se mascaram mas tu não.
Canta o padre Fanhais
Porque os outros se calam mas tu não Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão empre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não Sophia de Mello Breyner Andresen
173-"A ESPERANÇA É O SONHO DO HOMEM ACORDADO" Quem disse isto, e já passaram muitos anos, foi um homem que nasceu no ano de 384 a.C., em ESTÁGIRA, então encravada num reino chamado Macedónia. Chamava-se esse homem ARISTÓTELES e foi um dos maiores filósofos de todos os tempos. (384-322). De noite, quando sonho, sonho que posso movimentar-me à vontade, é como se o AVC nunca tivesse existido, mas de manhã, quando acordo, volto ao sonho de Aristóteles e lá se foi a esperança. Mais valia que tivesse nascido contemporâneo de Aristóleles, hoje não estava a pensar em AVCs.