sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

298-Fransz Kafka, Saint-Exupéry, Steve Jobs

298-NOSSA VERDADE

Nossa Verdade A verdade é aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter nem adquirir de ninguém. Todo o homem deve extrai-la sempre nova no seu próprio íntimo, caso contrário ele arruina-se. Viver sem verdade é impossível. A verdade é talvez a própria vida.

Franz Kafka, in ´Conversas co´m Kafk´

FELICIDADE COM POUCOS BENS

Felicidade com Poucos Bens Embora a experiência me tenha ensinado que se descobrem homens felizes em maior proporção nos desertos, nos mosteiros e no sacrifício do que entre os sedentários dos oásis férteis ou das ilhas ditas afortunadas, nem por isso cometi a asneira de concluir  que a qualidade do alimento se opusesse à natureza da felicidade. Acontece simplesmente que, onde os bens são em maior número, oferecem-se aos homens mais possibidades de se enganarem quanto à natureza das suas alegrias: elas, efectivamente, parecem provir das coisas, quando eles as recebem do sentido que essas coisas assumem em tal império ou em tal morada ou em tal propriedade. Para já, pode acontecer que eles, na abastança, se enganem com maior facilidade e façam circular mais vezes riquezas vãs. Como os homens do deserto ou do mosteiro não possuem nada, sabem muito bem donde lhes vêm as alegrias e é-lhes assim mais fácil salvarem a própria fonte  do seu fervor.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

SE QUISERMOS VIVER A VIDA DE FORMA CRIATIVA

Se Quisermos Viver a Vida de Forma Criativa. É raro ver-se um artista na casa dos 30 ou dos 40 anos contribuir com alguma coisa realmente extraordinária. É claro que existem algumas pessoas com uma curiosidade inata, que são eternas crianças na maneira como se maravilham com a vida, mas são raras. Os nossos pensamentos constroem padrões semelhantes a dobras na nossa mente. Nós estamos efectivamente a esboçar padrões químicos. Na maioria dos casos, as pessoas ficam presas nesses padrões. como nos sulcos de um disco, e nunca saem deles.
Se quisermos viver a vida de forma criativa, como um artista, não podemos olhar muito para trás. Temos de estar dispostos a agarrar naquilo que fizemos, na pessoa que fomos, e deitá-lo fora.
Quanto mais o mundo exterior tenta impor-nos uma imagem nossa, mais difícil é continuarmos a ser um artista, e é por isso que muitas vezes os artistas têm de dizer: «Adeus. Tenho de ir. Estou a ficar maluco e vou sair daqui.» E depois ir hibernar para qualquer lado. Talvez mais tarde, voltemos a emergir de uma maneira um pouco diferente.

Steve Jobs

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

297-ZECA AFONSO*

297-Nunca uma canção proibida pelo
fascismo como " Os Vampiros" foi
tão actual.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

296-SISSEL*















296-A voz da encantadora Sissel na
famosa  canção "Over the Rainbow"

Judy Garland na mesma canção
 quando era ainda muito jovem.

domingo, 4 de dezembro de 2011

295-ZÉ CACILHEIRO*

295-Recordando aquele que foi o grande artista do
teatro ligeiro e que se chamou JOSÉ VIANA
acompanado pelo também actor Carlos Dias

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

294-O CAVALO DE CALÍGULA

294-Sabedoria de Calígula

Mandei-o descascar batatas,
respondei-me que os astros auguravam bom tempo.
Decididamente era verdade
que o imperador fizera o seu cavalo cônsul.

Jorge de Sena, Peregritatio ad loca infecta (1969)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

293-Millôr Fernandes

293-A AMBIÇÃO SUPERADA


A Ambição Superada Certo dia uma rica senhora viu, num antiquário, uma cadeira que era uma beleza. Negra, feita de mogno e cedro, custava uma fortuna. Era, porém, tão  bela, que a mulher não titubeou - entrou, pagou levou para casa.
A cadeira era tão bonita que os outros móveis, antes tão lindos, começaram a parecer insuportáveis à simpática senhora. (era simpática).
Ela então resolveu vender todos móveis e comprar outros que pudessem  se equiparar à maravilhosa cadeira. E vendeu-os e comprou outros.
Mas, então a casa que antes parecia tão bonita, ficou tão bem mobilada que se estabeleceu uma desarmonia flagrantre entre casa e móveis. E a senhora começou a achar a casa horrivel.
E vendeu a casa e comprou uma outra maravilhosa.
Mas dentro daquela casa magnifica, mobilada de maneira esplendorosa, a mulher começou, pouco a pouco, a achar seu marido mesquinho. E trocou de marido.
Mas mesmo assim não conseguia ser feliz. Pois naquela casa magnífica com aqueles móveis admiráveis e aquele marido fabuloso, todo o mundo começou a achá-la extremamente vulgar.


Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"

292-JOSÉ RÉGIO*

292-FADO PORTUGUÊS
o Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava.


Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,


Mãe, adeus, Adeus, maria.
guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.


Ora eis que embora outro dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinhero
que, estanta triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


poema de josé régio
mísica de alain oulman