quinta-feira, 11 de setembro de 2014

1487 - «PEQUENA METÁFORA DA ARANHA E DA MOSCA» ANTÓNIO LUÍS MOITA

1487

PEQUENA METÁFORA DA ARANHA E DA MOSCA

Invisíveis fios de oiro à luz do sol  sem vento
a solitária aranha preparou.
Como que dorme, agora. Aguarda o alimento:
um pequenino insecto desatento,
um impensado voo.

A mosca vem, Zumbe no ar. Esvoaça.
desprevenida, rápida, contente.
A solitária aranha sente a caça:
comprime-se no canto. E a mosca passa
mesmo ao lado da morte, velozmente.

Regressa, logo a após. Mergulha. Evita
uma vez mais a morte certa. A teia
treme. A aranha freme. A morte grita.
A mosca  -  essa  -  permanece alheia.

Ziguezagueia, impávida, Descreve
três círculos concêntricos no espaço.

ANTÓNIO LUÍS MOITA

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

1486 - «LAGOA DA FAJÃ DOS CUBRES» - AÇORES

1486
Zonas Húmidas - Lagoa da Fajã dos Cubres - Concelho 

da Calheta

Ilha de S. Jorge - Açores


terça-feira, 9 de setembro de 2014

1485 - AGOSTINHO DA SILVA

1485

Se existiu sempre o que existe
e nenhum fim  lhe há-de haver
qual é a ponte que liga
o que foi ao que há-de ser

é a ponte de ir marchando
a ponte de confiar
que é eterno esse poeta
cuja essência é nos sonhar

suponho que há um poeta
e não apenas poema
de que tudo é expressão
e de que o nada é o tema.

AGOSTINHO DA SILVA