quarta-feira, 8 de outubro de 2014

1512 - «POEMA DE (PARA) ESTAR SÓ» - FERNANDA BOTELHO

1512

POEMA DE (PARA) ESTAR SÓ

Cada eliseu tem ventre num café
Cada tampo de mesa é uma panóplia
de mãos chávenas pires cotovelos
Movem-se entre as panóplias propedêuticas
diferentes dialécticas revulv-
--compul-convul-
                           sivamente exóticas
                                                           centrífugas
Mas nós ora e sempre insulados alienos
das elíseas panóplias catequéticas
Quem nos saúda? Como viveremos?

                                                  (Inéditos)
FERNANDA BOTELHO


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

1511 -- «ÓBIDOS» PORTUGAL

1511

CASTELO DE ÓBIDOS - PORTUGAL

Obidos, Portugal
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1510 - «PARA UM FUTURO MELHOR» - FERNANDA BOTELHO

1510

«PARA UM FUTURO MELHOR...»

Mágica, exangue, generosa flor
que assinala o caminho dum céu próximo!
Uma bomba que se lança
no anónimo
campo de experiência onde decorre
a fábula da grande, enérgica Esperança!
Como um lírio gigante, ela surgiu
-- digna, proposta consciência,
marco de salvação, e desafio
aos símbolos corruptos da incoerência.

O caminho do céu, dizem, é este.
E apontam-nos  a ponta dum Evereste
-- progresso, malogro, calafrio.

Apenas, aí!, apenas acontece
que a corola do céu nunca se abriu
a homem que do céu notícia desse.

                 (In Diário de Notícias, 16-11-56)

FERNANDA BOTELHO