segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

12-ANTÓNIO VIVALDI*

                                                                                                                               
12-Júlia Fischer, a famosa pianista e violinista alemã de origem judaica, interpretando as Quatro Estações de Vivaldi, neste caso o Verão - Academy of St. Martin-in-the-Fields

                                                                         VERÃO                                                          
                                                              PRIMAVERA
As Quatro Estações, de Vivaldi, para nos fazer  esquecer, por alguns momentos, as horas mais mais sombrias e frias deste inverno.                                                        

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11-Beethoven - 9ª.Sinfonia ( Hino à Alegria do poeta Schiller)*

11-Não apenas uma música da criatividade humana, mas a demonstração da gana pelo iluminismo e contra as forças opressoras à liberdade, ao conhecimento ao alcance de todos sem restrições ou tabus. Também esta de tornou o hino da União Europeia!

A vida pode ficar melhor se você tiver tempo para perceber

Apenas contrinue o melhor, deixe suas preocupações fora da sua mente

Confie em mim meu irmão e eu realmente lhe mostrarei como

Fazer seus sonhos se tornarem realidade

E ouvir a ode à alegria

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

10-Ai Mouraria

                                             10-AMÁLIA
                                        canta Ai. Mouraria
                                Letra de Amadeu do Vale
                             Música de Frederico Valério



Ai, Mouraria
da velha Rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo ao meu lado
certo fadista
de cor morena,
boca pequena
e olhar trocista

                     Ai, Mouraria
                     do homem do meu encanto              
                     que me mentia,
                     mas que eu adorava tanto.
                    Amor que o vento,
                    como um lamento,
                    levou consigo,
                    mais que ainda agora
                   a toda a hora
                   trago comigo

Ai, Mouraria
dos rouxinóis nos beirais
dos vestidos cor-de-rosa
dos pregões tradicionais
Ai, Mouraria
das procissões a passar,
da Severa em voz saudosa,
da guitarra a soluçar.

9-Hipocrisia dos cotas

9-A hipocrisia dos cotas que se comovem com a música dos Deolinda


Gente lixada pela vida há em todas as gerações. Mas, verdadeiramente lixado é a hipocrisia, a desonestidade e a trafulhice intelectual. E disso, todas as gerações estão bem servidas.

Por estes dias não há colunista, comentador, analista, calista, ou industrial da panaficação que não cite copiosamente a música dos Deolinda, que faz o retrato amargo da geração
Nem Nem, dos 500 euros ou, se quisermos, a geração lixada.
Em geral, todos estes cronistas pop-de-sociedade são da geração açambarcadora, a que alegadamente espoliou as oportunidades dos jovens e os remeteu ao beco sem esperança, mas todos morarizam  e escrevem como se não tivessem o bedelho no calduço.
Estes novos e improváveis ouvintes do Deolinda comovem-se até ao carpido do crocodilo com esta singela letra "Sou da geração sem remuneração/e não me incomoda esta condição./Que parva que eu sou/Porque isto está mal e vai continuar,/já é uma sorte eu poder estagiar./Que parva que eu sou/E fico a pensar,/que mundo tão parvo/onde para ser escravo é preciso estudar". Ora, se esta é a música de intervenção desta geração, acho que se calhar esta geração tem o que merece (felizmente não é),
Esta é a música que tempera o sentimento de culpa das gerações bem instaladas na gamela dos direitos adquiridos. Os mesmos que, quando eram novos, escutaram e conspiraram por um mundo melhor ao som do José Mário Branco e do Zeca Afonso, e que passaram o resto da vida a trair as canções da sua juventude.
A pueril letra dos Deolinda é o pouco que eles conhecem da geração sobre quem escrevem com aquela sabichice insuportável da senilidade precoce. Eles não sabem nada, mas mesmo nada sobre a geração que agora lamentam nos seus editoriais lamechas,
Quando muito conhecem os filhos e os amigos dos filhos, e como falamos de uma casta relativamente privilegiada e bem relacionada, o mais provável é os seus filhos até se estarem a safar, graças a um empurrãozinho, uma palavrinha ao amigo, um favorzinho inocente.
Se há uma geração lixada, a maior parte destes articulistas chorosos contribuiu para a lixar. Perguntem lá ao José Manuel Fernandes, se quando era director do "Público" alguma vez se preocupou com a distribuição equitativa da massa salarial? Se alguma vez se opôs a estágios não remunerados, ou a inacreditáveis fossos salariais na redacção? E, quando falo do José Manuel Fernandes, falo de todos os outros directores, directores adjuntos, editores ou políticos de lágrima fácil que por estes dias andam a lamentar o destino trágico da geração lixada. Alguma vez algum deles abdicou dos seus direitos adquiridos? Dos seus salários principescos (quando comparados com a base da pirâmide salarial)? E mais. Quantas vezes vêm anúncios e processos de recrutamento para meios de comunicação social?
É que os "lugares" que vai havendo, vão sendo traficados, negociados entre amigos, "afilhados" ou mesmo filhos. Se fizerem a árvore genealógica do jornalismo português vão perceber o que o nepotismo e a consanguinidade não são fenómenos só impotáveis ao PS e ao caciquismo das empresas públicas e das autarquias. A maior parte do que se escreve nos jornais sobre ética, mérito e justiça no mercado do trabalho é apenas simples e crua hipocresia.
É natural que este tipo de hipocrisia (ainda cega, acredito) se identifique com a letra dos Deolinda, porque nunca na vida vão entender que esta letra também está a falar deles. Por isso espero que a geração lixada saiba escolher os seus arautos e fazer o seu caminho e a sua luta sem se deixar enganar pelas lágrimas de crocodilo.
A voz da geração lixada não é a dos José Manuéis Fernandes, dos inacreditáveis  Cavacos (o coveiro a falar aos mortos) e nem sequer dos Deolinda do mundo. É sua própria. O melhor e mais cru retrato que li da geração lixada é o livro "Operador de Call Center" de um jovem autor chamado Hugo Pereira uma viagem bukowskiana ao quotidiano de um operador de call center que mantém a ácida lucidez do sonho com a relização de curtas metragens.
Ironicamente, o mais poderoso retrato que  eu vi desta geração enjaulada não encontou editora capaz e minamente atenta. Teve de imprimir o livro em Espanha e vendeu algumas dezenas a amigos e familiares. É trágico destino do génio. Talvez se fosse jornalista ou médium tivesse melhor sorte...
É que reduzir esta geração à dialética meterialista que nos move ou à cultura programada, oficial e comercial é desconhecer o imenso mundo de criatividade e energia que pulsa na geração lixada. É simplesmente não os conhecer.
Eu pertenço à geração rasca do Vicente Jorge Silva, e cá nos vamos desenrascando com um quinhão dos "direitos adquiridos" também não dou para o peditório do coitadinho da geração lixada.
Compreendo que a crise económica, o desemprego, os recibos verdes, a falta de protecção social e a eternização na casa dos pais são a dura realidade. Mas essa realidade não admite o conformismo ou a histeria, por exemplo, dessa eminência parava de serviço ao liberalismo betucho chamado Henrique Raposo e os seus queixumes
dondocas de bem instalado na coluna normalmente bem remunerada do "Expresso".
Esse rapaz está longe de ser um bom arauto para vocês, caros camarados da geração lixada. É mais um intrujão. Porque se entramos na lógica do confronto de gerações, de espoliados e espoliadores, estamos bem mal. Esses jovens liberais de pacotilha acreditam que o problema está nos "direitos adquiridos" pelos trabalhadores, que se alapam aos postos de trabalho que deviam estar destinados por direito divino aos jovens que saem da faculdade. Portanto, a solução seria desalojar os "velhos" dos seus dos seus trabalhos e regalias, para os poder passar a uma geração mais preparada e bem formada, e disponível para ser remunerada de forma mais cmpetitiva... para as empresas.
Ora a formação univertária pode conferir legítimas expectativas, mas não dá um direito divino ao emprego, pelo menos aos bons  empregos, sobretudo quando não os há, ou há poucos. Alguém se parece esqucer que o mercado de trabalho português não é proprtiamente o alemão, e que os empregos que geração lixada pretende ter acesso por decreto não são propriamente de cantoneiro, padeiro ou portageiro.
O que a histeria dos raposões do mundo defende é uma permanente competição pelos "bons empregos",\como se fosse líquido que um qualquer recem-licenciado fizesse melhor o meu trabalho. Uma fotógrafa amiga um dia disse-me que um cliente ficou espantado com a rapidez com que ela fez uma\ sessão. - Só demorou um hora?, perguntou ele - Não, demorei vinte anos e uma  hora - respondeu ela.
Se entrarmos numa lógica de confronto geracional no mercado de trabalho vamos todos sair a perder a curto prazo e as empresas tabém (a médio prazo). Desproteger o trabalho não é um bom negócio para ninguém, porque daqui a algum tempo não estariamos a discutir os problemas dois recém-licenciados, mas sim a falência e a miséria dos velhos licenciados. Se encararmos este grave problema social com preconceitos de classe, casta, ideológicos ou mesmo de geração, estaremos a atear o rastilho de um barril de pólvora.
Temos todos encontrrar a melhor forma de sermos uma sociedade solidária e mobilizada para o bem comum, uma sociedade de valores, de mérito, de cooperação (melhor que competição), e se para isso for preciso abdicar de alguns "direitos adquiridos", que aliás pago ao Estado (e não é pouco) seja. Eu estou disposto a fazê-lo. Mas só  se esses "direitos adqueridos" (um ordenado, seguro de saúde e direito de indemnização caso seja despedido, a troco da inovação, da iniciativa e da solidariedade social. Não os dou de barato a um jovem recém-licenciado que acomoda a peidola ao sofá dos pais, ao carro em segunda mão, aos copos no Bairro Altro, às tertúlias da lamentação, ao conformismo e à espera eterna de um emprego compatível com a sua condição. Querem uma vida melhor? Lutar por ela também ajuda.
Pelo menos, ajuda mais do que aplaudir os artigos de José Manuel Fernandes ou as músicas dos Deolinda.
É que uma parte da geração lixada também é uma geração acomodada que vai azedando. E azaedar é acabar com o sonho, o deles, e o nosso, num país mais justo e feliz.
Rui Pelejão

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

8-Zeca Afonso

8-Trás outro amigo também
José Afonso
Composicion: José Afonso


Amigo
Maior que o pensamento                              
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Tras outrro amigo também

7-Os DEOLINDA


                                             7- Parvo é quem não vê

Não tive a sorte de assistir ao concerto que na semana passada os Deolinda deram no Coliseu do Porto.Mas basta ver o vídeo para nos apercebermos que algo de significativo aconteceu. A dado momento Ana Bacalhau, anuncia que vai cantar uma música nova e não foi preciso chegarmos ao fim da canção para termos a certeza que nascera um hino. A comunhão entre a banda e público mostrava que aquelas eram as palavras de uma inteira geração. De uma geração que estudou mas que não tem perspectivas, de uma geração que anseia por estabelidade familiar mas que vive enredada na precariedade, de uma geração que já não tem grandes cartilhas ideológicas mas que não permacerá para sempre no desânimo e na apatia.
Houve quem dissesse que renascera a canção de intervenção. Talvez. No fundo, ela verdadeiramente nunca morreu. O campo musical português está cheio de exemplos de letras combativas, e não é preciso sequer remetermo-nos  para o domínio do hip-hop. Veja-se por exemplo a poética artesanal  cultivada por Pedro e Diana. Mas o que ali aconteceu foi diferente: a insatisfação de uma parte considerável tinha encontrado manerira de se dizer. E isso também não é novo - há quanto tempo andamos a falar de precariado, de falsos recibos verdes, de geração bloqueada? - aquele momento trouxe alguma coisa que faltava: uma linguagem simples para falar de experiências comuns.
    A política não se confunde com uma canção, mas os sentimentos de pertença colectiva constroem-se de várias maneiras. E o que os Deolinda fizeram foi dar voz a esse  sentimento. De repente, a vida adiada de cada um e de cada uma tornou-se parte de um todo. O reconhecimento desse "mundo tão parvo em que para se ser escravo é preciso estudar" exorcisou um pouco a realidade. Chega? Não chega. Mas naquela noite a impotência morreu um bocadinho mais.
                             "Parva que sou", a novo trabalho dos Deolinda            

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

6-O País do olaré

6-Mais vale um pássaro na mão de que dois a voar.

 Circula por aí muita conversa fiada sobre eleições legislativas antecipadas, ampliada com a vitória eleitoral de Cavaco Silva. É natural. Por pressão interna do partido, Passos Coelho precisa de chegar rapidamente à chefia do governo, antes que, na tradição do PSD, o enviem definitivamente para Massamá. O «aparelho» está sequioso para ocupar os lugares da nomenclatura governativa, institutos, empresas públicas, e por aí fora e exige-lhe que se apresse. São muitos anos apeados e, mais algum tempo, toda uma geração perde a oportuinidade de se sentar à mesa do «poder». No entanto, Passos Coelho sabe que a pressa é má conselheira, e não quer correr riscos. E sabe, também, que quem provocar uma crise política por motivos não «atendíveis» pelos portugueses, sobretudo na presente situação de penúria e má sorte, corre o risco de ser penalizado eleitoralmente. Daí que aposte na necessidade de «entrada» do FMI como «o facto» que fundamente a dissolução da Assembleia da República, descartando-se da apresentação de uma moção de sensura ao governo, cujo resultado seria incerto. Por seu lado, o Presidente da República, agora reeleito, não vai mexer uma palha (mesmo com a «entrada» do FMI), enquanto não tiver a »certeza absoluta» que da realização de eleições antecipadas resultará uma nova maioria parlamentar. O pior que lhe podia acontecer, a Cava Silva, para além do «caso BPN», era o PS voltar a ganhar as eleições ou ganhar o PSD, mas sem maioria absoluta, mesmo com o CDS. Tudo visto, parece-me que a esperada reeleição de Presidente da República nada alterou no figurino político. Antes pelo contrário: demonstrou que os eleitores preferem estabelidade política a mudanças incertas e nebulosas. Como diz o povo: «Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar».
(Publicado no Aparelho de Estado)