segunda-feira, 30 de maio de 2011

128-Carlos Drummond de Andrade*

128-Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo erm que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já  não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espectáculo
preferiram (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
        E A VOZ INCONFUNDÍVEL
        DA  IRLANDESA  "ENYA"

sábado, 28 de maio de 2011

127-BERTOLT BRECHT

127-Elogio da Dialéctica

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz  além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
Isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que chegou, que há aí que o retenha
E nunca será;  ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht

terça-feira, 24 de maio de 2011

126-POVO COBARDE E EMBRUTECIDO, o português

126-"Assim, muito melhor do que os portuguses, eles conhecem as razões da miséria nacional. Na UE, todos sabem que a causa número um  está nos próprios portugueses. Que em todos os países, se se deixassem os políticos à rédea solta aconteceria o mesmo que cá se passa. Que a única forma de assegurar a honestidade dos políticos não é votando ora num partido de corruptos, ora noutro. Os animais políticos, em qualquer país, têm que ser obrigatoriamente controlados. Eles sabem que a constituição portuguesa é uma farsa de democracia, pois não permite que o povo exerça o seu direito, acabando por resultar o que se vê, mas sabem também que ao povo e a mais ninguém  - excluindo representações, deputados e governos - corrigir o que está mal, exigindo uma nova constituição democrática  ou a sua completa remodelação, restituindo ao povo os seus direitos soberanos."

"Ainda que haja outras causas, como as publicadas neste post. Este post contém a lista do que todos queremos que os partidos incluam no seu programa e que eles se recusam. Estas medidas são de uma importância muito superior a todas e quaisquer medidas que os partidos possam apresentar por os seus dois alvos são a eliminação da corrupção e o nivelamento da população. É disto que o mundo sabe que depende o progresso de qualquer país, pelo que todas as outras medidas são secundárias. É a única mudança estrutural que os partidos escondem e que o PSD conspurca com o seu slogan de mudança. Sem isto não há a mudança estrutural necessária e um partido que não as coloque no seu programa não merece um único voto."

"O grosso da dívida foi utilizado para permitir que a população vivesse como nos países ricos, mas sem produzir. Os outros europeus também o sabem. É do conhecimento de todos que começou com o governo de Cavaco. Ou já se esqueceram de como um povo miserável de repente desatou a comprar electrodomésticos desenfreadamente, casas, tudo? De onde vinha o dinheiro? E ainda destruiu a agricultura, as pescas e a indústria. Sem elas ainda há hoje pategos que crêem parvamente que a miséria vai terminar em 2013. Nem dez anos; talvez jamais se chegue a viver como um país médio. Que povo mais parvo que cai em todas as armadilhas, sem se dar conta dos logros porque já passou. Um povo que não aprende com os seus erros é um povo condenado."

"Os governos (todos sem excepção) endividaram o país para o povo viver como os trabalham e produzem e serem votados. Os outros europeus sabem-no. Fizeram isto com êxito porque os jornaleiros embruteceram a populaça e convenceram-na de que isso era justo, correcto, bom para todos e democrático (!). Foi isso principalmente, que inchou a dívida nacional. Basta comparar um gráfico que apresente os montantes anuais dos fundos europeus de coesão recebidos com um outro sobre o endividamento anual do país. Não é por acaso que são inversamente  proporcionais. O dinheiro foi usado para manter a população  contente como com morfina em lugar de desenvolver o país. Todos os governos fizeram exactamente o mesmo, donde a culpa foi igual. Nem mais, acordem. Culpar o partido que se encontre  no governo na altura de pagar a factura é exactamente o que nos outros países se reconhece hoje como uma confissão de estupidez, atraso mental dos portugueses para compreenderem os seus problemas e incapacidade para os resolverem."
4º.andamento da 4ª Sinfonia de joly
Braga Santos

domingo, 22 de maio de 2011

125-Uma lição de ironia

125-Numa boa entrevista conduzida por Tiago Pereira  para o jornal i, o escritor Onésimo Teotónio Pereira - açoriano  radicado nos Estados Unidos, o que leva a encarar o Atlântico como "um  rio" - ensina-nos através de uma pequena história o que é a ironia, arte muito pouco cultivada em Portugal.
A história é esta:
"Um tipo vai a uma casa de chá, onde estão duas senhoras educadas, e pergunta: "Há aqui algum sítio onde se se possa mijar?" As senhoras respondem: "Olhe, o senhor naquele corredor vira à direita, na segunda porta está escrito cavalheiros". Não faça caso, entre."
Admirável ironia, tão rara aos nossos ouvidos, muito mais treinados para escutar sarcasmos.
Pedro Correia

sábado, 21 de maio de 2011

124-VÍDEO - A garota de IPANEMA*

124-"A GARORA DE IPANEMA"     Tom Jobim  - Vinicius de Moraes
                         

sexta-feira, 20 de maio de 2011

123-PARVOÍCES

123-Parvoíces

Daquilo que se vai sabendo, sabendo também que muito daquilo que se sabe são "bocas" para ver se pega, o empréstimo em tranches que aí vem é composto por, aproximadamente, um terço do dinheiro do FMI e o restante dos nossos amigos europeus. O FMI empresta os carcanhóes a juro razoável, os nosos amigos fazem negócio chorudo com o graveto que regateiam. O FMI gostaria de nos ver a produzir cereais, os nossos amigos gostariam que nós lhos continuassem a comprar. O FMI gostaria de nos ver a apanhar peixe, os nossos amigos gostariam que apanhássemos o plástico do mar. O FMI gostaria de se ver livre de nós, os nossos amigos querem-nos sugar o tutano.

Dos 78 mil milhões, 12 mil milhões vão para os sistémicos e mais trinta e cinco mil milhões são para garantias (números redondos, porque para o comum dos mortais, mil milhões têm significado nulo por impossibilidade de imaginar o que representam), mais uns quantos mil milhões são para pagar os juros do empréstimo. Os cidadãos pagam tributo feudal (ponto final). Entretannto continuam a chegar cartas com aumento dos plafonds de crédito ao consumo e ofertas de aquisição, em prestações, dos mais diversos néctares e prazeres.

No dia 5 vamos votar. Votar nos políticos, claro, porque os verdadeiros decisores não vão nessa cantiga.

Não é uma geração parva, mas o país inteiro.
LNT

Ontem, vi na TV, o Sr. Silva de Boliqueime, rodeado de um grupo de jovens,  a incentivá-los a trabalhar como futuros agricultores. O homem que, quando da entrada de Portugal na CE, abandonou a agricultura e incentivou os pescadores a vender os seus apetrechos de pesca, vem agora a dizer o contrário.
         Se vivessemos numa verdadeira democracia, com os poderes controlados pelo povo, gente desta já estaria na prisão hà muito tempo.
         Mas como temos o povo que temos, e não o podemos dissolver  para eleger outro, o melhor é irmos ouvir a suite Alentejana (Fandango), de Luis de Freitas Branco.
Suite Alentejana (Fandango)
de Luis de Freitas Branco

domingo, 15 de maio de 2011

122-Gheorghe Zamfir*

                                 122- Gheorghe Zamfir em    "Einsamer Hirte"

Agora vamos ouvir um pouco o conceituado romeno Gheorghe Zamfir, o grande interprete e virtuoso da Flauta de Pã. É um instrumento que não é para todos, é preciso uma grande caixa de ar para ser tocado.          "My heart will go on" faz parte do tema musical do filme TITANIC, e é interpretada pela Celine Dion, aqui musicado por Gheorge Zamir com Flauta de Pã.
                         Gheorghe Zamerfir em "My heat Will Go On"
                    
Gheorghe Zamfir em   "Love Story"
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